De certo que refletir sobre
a contemporaneidade não uma tarefa das mais fáceis, levando em
consideração que os acontecimentos estão a todo momento
borbulhando como água numa panela fervente. O advento tecnológico,
bem como o surgimento de plataformas digitais, como já foi
mencionado em postagens anteriores, trouxe profundas mudanças
sociais, sobretudo no modo como as pessoas se relacionam e também
como acessam e produzem conhecimentos.
Relacionando este movimento
com a educação escolar, podemos perceber como este espaço
encontra-se ainda distante das situações que eclodem em âmbito
social, envolvendo recurso digitalizados. Não raro, observamos no
espaço escolar e em redes sociais crianças e adolescentes
interagindo com o digital de maneira intensa, enquanto que a escola
ainda caminha na contra mão desse movimento, por vezes repudiando o
uso das tecnologias na escola ou até mesmo “demonizando” tais
recursos, colocando-o como produtor de males sem precedentes, com um
dos discursos usuais de que “a internet afasta as pessoas”.
Isso evidencia que o espaço
escolar encontra-se muito distante da cultura digital e permeada de
preconceitos e medos quanto a sua utilização. Além da falta de
politicas públicas que produzam resultados sérios sobre este tema,
observamos uma falta de intimidade da classe professoral com os
recursos digitais, contribuindo para a produção de uma educação
escolar com uma linguagem do passado.
Já mencionei anteriormente
a necessidade de formação inicial e continuada para os professores.
Penso que esta questão deveria ser levada mais a sério enquanto
politica pública; e esta é uma discussão que deve ser levada a
frente também por outras esferas e não esperar que parta de um
cenário político ideal.
Contudo, o currículo
escolar, seja ele o oculto ou o formal, compreendendo este como um
interessante instrumento de assimilação e produção de
conhecimentos, encontra-se muito centrado numa cultura livresca e
distante da cultura digital.
Nesse sentido, discutir a
inserção da cultura digital na escola não pode ficar restrita,
como comumente encontramos, a instrumentalização de computadores
por parte de estudantes e professores. De certo que entre os
professores ainda encontramos muitos com pouca intimidade com o uso
de computadores e não dialogam facilmente com mundo digital, no
entanto, quando falamos de alunos e alunas este cenário muda em
função de que estes já se encontram imersos numa cultura
digitalizada e conseguem dialogar com mais facilidade com máquinas e
plataformas digitais.
Pensando nisso, a inserção
dessa cultura na escola perpassa, sobretudo, por uma politica de
formação inicial e continuada que leve em consideração temáticas
como a do software livre, o atual contexto tecnológico enquanto
produtor de ciência e tecnologia, o uso das plataformas digitais que
muito pode contribuir para que os estudantes interajam com o
conhecimento de modo que sejam autores e produzam conhecimentos, bem
como uma discussão politica e filosófica em torno deste tama que
pode suscitar desdobramentos em âmbito escolar que contribua para a
construção de um novo cenário educacional relacionado a este tema.
É importante que não se
esqueça de uma questão também fundamental quando falamos de
cultura digital e escola. Considero não razoável falarmos neste
tema sem levar em consideração a infraestrutura de escolas
públicas, sobretudo as situadas na zona rural, que muitas vezes
sofrem com condições precárias de funcionamento; esta discussão
perpassa também por uma questão de politicas públicas e de uma
gestão educacional ainda insuficiente que atenda de maneira
significativa a realidade educacional. A falta de recurso destinados
e este setor e o mal uso, em muitos casos, dos poucos recursos
destinados a educação é uma realidade que ainda carece de uma
atenção maior. Sem resolver questões básicas como esta e tantas
outras ainda enfrentadas, continuaremos na contramão de uma educação
de qualidade e que atenda a demanda de uma sociedade cada vez mais
digitalizada.
Bibliografia
BONILLA, Maria Helena
Silveira. Formação de professores em tempos de web 2,0. In.
ASSUNÇÃO, Maria Tereza de (org.). Escola, tecnologias digitais e
cinema. Juiz de Fora: Ed. UFJF, 2011.

É, muito precisa ser feito para que cultura digital e cultura escolar se aproximem, se interpenetrem, se potencializem... cada ação, cada reflexão que fazemos nesse sentido é um contributo para esse movimento
ResponderExcluir