Refletir
sobre letramento digital, à luz dos textos apresentados sobre o
tema, me proporcionou pensar sobre minha posição diante desse
conceito, levando em consideração as características que traduzem
uma pessoa letrada digital. Além disso, foi possível pensar também
sobre questões de cesso a recursos tecnológicos, enquanto condição
para que as pessoas possam tornar-se letradas, num contexto onde tal
acesso se condiciona a aspecto econômicos.
Partindo
do conceito de letramento digital enquanto prática social, que vai
muito além do que ler e escrever no computador, procurei me
localizar em meio a este conceito, buscando perceber também em que
nível de letramento me encontro. Já relatei aqui em postagens
anteriores o meu contato com as tecnologias digitais, mais
especificamente o computador, que se deu de maneira um pouco tardia,
porém consegui aprender a “mexer” muito rapidamente, fazendo,
inclusive, pequenos reparos, instalando e desinstalando programas,
etc.
Partindo,
então, das características apresentadas por Sabilla e Bonilla no
texto “Letramento Digital: una nueva perspectiva conceptual”,
pude entender que eu me insiro nas características apresentadas, no
entanto, num grau não tão aprofundado. Muito embora eu consiga
demonstrar certa habilidade criativa com o mundo digital, como
passear em ambientes hipertextuais, desenvolver intimidade com outros
recursos como celulares, instalar e desinstalar programas, etc.,
ainda me falta compreensão técnica em determinadas áreas como
desenvolver programas, compreender o funcionamento de alguns sistemas
de hardwares e softwares; além disso, entre a leitura aprofundada em
um ambiente digital e analógico ainda prefiro um bom livro analógico
e muito embora eu considere as redes sociais um grande recurso de
comunicação, ainda acredito que as interações sócias presenciais
sejam mais importantes. Talvez essas considerações represente uma
limitação minha, mas por hora penso dessa maneira, não me fachando
para outras possibilidades de pensamento.
Um
outro aspecto sobre o letramento digital é que para que haja seu
desenvolvimento é necessário que as pessoas tenham acesso a
recursos tecnológicos e que sejam de qualidade. Aqui no Brasil –
eu mesmo sou um exemplo disso – as classes menos favorecidas
tiveram acesso a recursos tecnológicos de maneira tardia, levando em
consideração países mais desenvolvidos onde sua população já
utilizava tais recursos, bem como as classes com poder aquisitivo
maior que já tinham acesso a mais tempo. Este contexto se explica,
dentre outras causas, devido ao fato de o Brasil não produzir
tecnologia que lhe garanta disponibilizar tecnologias mais baratas,
restando a alternativa de comprar tais tecnologias de países
desenvolvidos que as produzem; demonstrando o nosso atraso no que diz
respeito a investimentos nesta área.
Ainda
na perspectiva do acesso, compreendo que a qualidade dos equipamentos
e da internet está muito atrelada aos aspectos econômicos, o que me
leva a afirmar que quem pode pagar mais leva um produto ou serviço
melhor. Esta realidade faz parte da conjuntura capitalista, que
produz sociedades excludentes onde alguns tem muito e a maioria quase
nada; criando, no âmbito do letramento digital, alguns mais letrados
e com possibilidade de ampliar seu letramento mais que outros.
Portanto,
pensar acerca do letramento enquanto prática social, é também
pensar nas limitações de acesso e qualidade de acesso aos recursos
tecnológicos. A própria ideia de letramento, no campo da
linguística, busca compreender as contradições do mundo, sobretudo
em seus aspectos sociais e de produção de saberes. Assim, é
importante ter em mente que as tecnologias digitais, no contexto do
letramento, caracteriza-se, também, por contribuir para a produção
de conhecimentos, se entendermos o processo de letramento digital
como algo potencializador da mente humana no campo da educação
formal e não formal.
Referências
RIBEIRO,
Ana Elisa. Letramento
digital: um tema em gêneros efêmeros. Revista
da ARALIN, v. 8, n. 1, p. 15-38, jan./jun. 2009.
SABILLÓN,
Cinthia Margarita;
BONILLA,
Maria
Helena.
Letramento
Digital: una nueva perspectiva conceptual. Faculdade
de Educação-Universidade Federal Da Bahia (UFBA).

Oi Leonardo,
ResponderExcluirConcordo com você sobre a questão do acesso as tecnologias, o acesso é fundamental para que o país se desenvolva e amplie o letramento digital, para isso, necessitamos de políticas públicas que possibilitem as populações menos favorecidas a posse das tecnologias, do contrário, continuaremos reféns dos países ditos "desenvolvidos" e a perspectiva colonialista se perpetuará.
Importante a relação entre acesso e letramento. E é justamente a falta de acesso ou acesso de má qualidade o que limita que a maioria das pessoas não possa conhecer, utilizar e desenvolver conhecimentos sobre as TIC.
ResponderExcluirLaonardo, a realidade de Brasil e de México nesse sentido não fica muito diferente, meu país também tem muitos problemas de acesso e nem falar de letramento.
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